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Testemunho de uma Guia​

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“O Senhor é minha luz e salvação, de quem terei medo?” (Sl 26/27,1)

Quando recebemos as primeiras notícias sobre as Oficinas de Oração e Vida trazidas pela irmã Feliciana Mercedes Miranda, tivemos a esperança renovada. A nossa vivência de Comunidade Eclesial de Base estava desintegrada, pelos desentendimentos e as fofocas que naquele momento sobressaiam às nossas ações de fé. A Palavra de Deus já não nos falava o coração e a vida fraterna estava em baixa. As notícias de um trabalho de evangelização que viesse a quebrar aquele clima de desarmonia e nos reintegrar com a vida fraterna que nós sempre experimentamos, nos encheu de alegria. A mim particularmente, porque estava muito desgastada pelos desajustes na minha vida matrimonial e a minha missão de professora já não me trazia o encantamento que eu experimentei nos primeiros anos.

 

Era o primeiro semestre do ano de 1989, janeiro. E em fevereiro a irmã começou a aplicar as Oficinas.

 

Foi um mundo novo. Entender que Deus é um Deus de ternura foi uma surpresa encantadora, e que Ele é como o Pai mais carinhoso do mundo, me deixou fortalecida e disposta a continuar a minha vida no meio das luzes e sombras, mas sabendo que a partir daquele momento eu não caminhava sozinha, porque o Pai de ternura caminhava comigo. O meu coração readquiriu a ternura do viver e os meus olhos, um novo brilho. A partir daí, comecei a olhar a vida sempre com o seguinte propósito: “O que faria Jesus em meu lugar?”

 

As Oficinas começaram com quase toda a Comunidade participando; crianças, jovens adultos, incluindo alguns homens.

 

No segundo semestre fomos orientados a fazer a Escola Piloto. Estávamos lá. Todas as senhoras e jovens, partimos na busca de nos preparar para levar a outrem a Boa Nova. Era apenas um semestre. E, no final da Escola Piloto éramos dez Guias. As pioneiras na Bahia.

 

Eu comecei a levar as Oficinas no centro da cidade e nos vário Distritos, às vezes duas Oficinas por semestre e sempre com muita alegria e sentindo o quanto esse trabalho me fazia bem. As tempestades na família não cessaram. Pelo contrário vieram nuvens mais tenebrosas. Mas todas elas eram dissipadas no meu “Tempo Forte” diante da Palavra de Deus.

 

Os anos foram passando, participei de vários eventos também em outros estados, e isso foi me fortalecendo. Levamos as Oficinas de Oração e Vida a outras cidades, formamos novas Equipes, e a partir dos anos 1992 o meu esposo começou a caminhar conosco como motorista a nos levar às várias cidades, e outros Estados. Então ele foi experimentando também, o amor infinito e misericordioso que era transmitido e traduzido na prática das Oficinas de Oração e Vida. Em 1996 fizemos o primeiro Encontro de Experiência de Deus com Frei Ignacio Larrañaga em Recife, e foi o ponto alto para o meu esposo. Ele se comprometeu diante de todos que, a partir daquele momento, ele assumiria aquele serviço, e assim aconteceu. A minha vida adquiriu um novo sentido. Agora eu evangelizava com ele. Era o meu parceiro-Guia.

 

Em 2004 fomos enviados como casal evangelizador, e, a partir daí, aplicamos vários Encontros de Experiência de Deus, na nossa cidade e em outras, e também em outros Estados. Foram momentos muito ricos, e construímos uma paz muito grande na nossa casa, até ele adoecer.

 

No ano de 2007 ele foi acometido de uma diabetes muito alta e logo no início começou a sofrer mutilações, perda de visão, e depressão. Novamente a nossa vida foi envolvida pelas sombras, mas, mesmo assim havia luzes.

 

Ele faleceu no mês de julho do ano de 2011. E naquele mesmo semestre, eu apliquei duas Oficinas de Oração e Vida, à noite e em bairros diferentes, para não perder o brilho que submergia na minha vida, apesar do luto.

 

Fui me reabastecendo com as vivências dos Tempos Fortes, com as partilhas, com impulso da missão, e, estou aqui. 

Nome: Eliude de Almeida Bastos 

Equipe: Feira de Santana Norte, BA

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